- Autor: FREITAS, MARCOS
- Idioma: PORTUGUÊS - ESPANHOL
- Editora: MARCOS FREITAS
- Assunto: Poesia
- Edição: 1
- Ano: 2011
terça-feira, 7 de abril de 2015
Inquietudes de horas e flores, de Marcos Freitas
Billie Holiday, a voz mais especial do jazz, completaria cem anos hoje
Billie Holiday tinha uma voz tão rouca e especial que não precisou estudar para dominar com facilidade os complicados giros do jazz e criou interpretações tão intensas que continua a ser a número um, mesmo cem anos após seu nascimento.
Uma voz privilegiada e uma vida errática, com uma mãe que a teve com apenas 13 anos, um marido abusivo e a dependência de álcool e heroína que a levou a morrer arruinada e sozinha, na cama de um hospital e sob prisão domiciliar, com apenas 44 anos, em 1959.
Mas, apesar de tanto tempo após sua morte e uma vida tão curta, a cantora é lembrada e aclamada como uma das maiores, o que se reflete nas diversas homenagens que tem recebido pelo centenário, principalmente em Nova York, cidade que a acolheu.
O mítico teatro Apolo, no Harlem, a incluirá hoje em sua Calçada da Fama, onde já estão Ella Fitzgerald, James Brown, Gladys Knight & the Pips, Etta James e Louis Armstrong.
"Sua voz e sua presença foram rapidamente consolidadas na cultura popular, o que a tornou a cantora mais influente do jazz em sua época e uma das cantoras mais apreciadas do século", afirmou o produtor executivo do Apolo, Mikki Shepard, quando da divulgação da estrela para a cantora.
Além disso, a cantora Cassandra Wilson lançará seu novo disco, "Coming Forth By Day", uma homenagem "à beleza, ao poder e ao gênio de Billie Holiday", reunindo 11 de suas canções, e uma nova, "Last Song (For Lester)".
Por sua vez, o nova-iorquino Lincoln Center programou dois shows em que Cécile McLorin Salvant cantará Billie Holiday, e de 7 a 10 de abril acontecerá o "Billie Holiday Festival" em diversas salas de Nova York.
São todas homenagens a uma das cantoras mais influentes do jazz, que soube fazer de sua voz um dos instrumentos mais precisos e eficazes, como lembrou Wynton Marsalis em entrevista na revista "Life" na qual confessou que, quando tinha 24 anos, passou um ano ouvindo, todos os dias, todas as canções gravadas por Holiday.
A cantora nasceu Eleanora Fagan em 7 de abril de 1915 na Filadélfia, filha de dois adolescentes. Sua mãe, Sarah Julia "Sadie" Fagan tinha apenas 13 anos, e seu pai, Clarence Holiday, que tinha 15, a abandonou ainda bebê.
Criada até os dez anos por sua tia Eva Miller - meia-irmã de sua mãe -, sofreu uma tentativa de estupro por um vizinho, foi levada para um reformatório, para depois viajar de forma intermitente com sua mãe, que não tinha trabalho fixo.
Aos 14 anos se reuniu com sua mãe no Harlem e começou a se prostituir até ser detida e presa por quatro meses. Após essa estadia na prisão começou a cantar profissionalmente junto com um vizinho, o saxofonista Kenneth Hollan.
Já com o nome de Billie Holiday - em homenagem a seu pai, guitarrista -, começou a deslumbrar com uma voz que tinha sido lapidada à sua maneira, com imitações de Louis Armstrong e Bessie Smith.
"Não acho que cante. Sinto como se tocasse uma buzina. Tentava improvisar como Les Young, como Louis Armstrong ou qualquer outro que admire. O que sai é o que sinto. Odeio simplesmente cantar. Tenho que mudar o tom para adaptá-lo à minha forma", afirmava Holiday quando perguntavam seu estilo.
Um estilo rompedor e sofisticado, uma forma especial de fraseado e uma entonação profunda que se diferenciava imediatamente do tradicional jazz que imperava na época.
Sua primeira gravação foi em 1933 - "Your Mother's Son-in-Law" -, ajudada pelo então pouco conhecido Benny Goodman.
Pouco a pouco foi ganhando prestígio no mundo do jazz e sua ascensão começou com a série de gravações junto com o saxofonista Lester Young, que a apelidou de "Lady Day", e que se tornou um de seus melhores amigos.
Mas foi sua interpretação de "Strange Fruit", a história do linchamento de um negro e uma dura condenação ao racismo em um Estados Unidos ainda segregado, em 1939, que a consolidou como uma das estrelas do jazz e marcou um antes e um depois em sua carreira.
"God Bless the Child", "Trav'lin' Light", "Gloomy Sunday", "Lover Man", "Summertime", "I'll be seeing you", "Crazy calls me", "Body and Soul" são algumas de suas canções mais famosas.
Billie Holiday deixou mais de uma centena de músicas gravadas, hipnóticas e encantadoras que continuam atuais, assim como sua imagem, em preto e branco, com seu sorriso melancólico e a eterna gardênia branca que adornava seu cabelo.
http://musica.uol.com.br/noticias/efe/2015/04/07/billie-holiday-a-voz-mais-especial-do-jazz-completaria-cem-anos-hoje.htm
terça-feira, 31 de março de 2015
segunda-feira, 30 de março de 2015
Polêmica do Código Florestal chega às telonas
Em meio à pior crise hídrica em mais de 80 anos em São Paulo, o documentário A lei da água - Novo código florestal chega aos cinemas para enriquecer o debate. Dirigido por André D"Elia (de Belo Monte: Anúncio de uma guerra) e com produção executiva de Fernando Meirelles, o filme destrincha os pontos mais polêmicos do código florestal - como a anistia de 29 milhões de hectares desmatados ilegalmente no país, a diminuição das áreas de proteção nas encostas íngremes e topos de morros, manguezais, matas ciliares e nascentes. Graças ao financiamento do próprio público, o filme será exibido em sessão única hoje em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Curitiba, Porto Alegre e Belo Horizonte.
"Começamos a fazer uma pesquisa segmentada por veículos - mídia impressa, internet, televisão. Montando a estrutura do roteiro, vi que a água permeava todo o assunto, principalmente se levar em consideração o foco do filme, que é levantar a questão econômica", destaca D"Elia.
O longa dá voz à comunidade científica, deixada de lado no momento de modificar o código florestal. "No final da votação do código, os ruralistas conseguiram vender a ideia de que houve um equilíbrio entre a vontade deles e dos ambientalistas", lembra Fernando Meirelles. "Não houve equilíbrio, foi modéstia deles: a bancada ruralista venceu por 7 a 1. Eles saíram felizes e o Brasil saiu perdendo."
Outro ponto enfatizado é o fato de que a proteção do meio ambiente não prejudica a produção agrícola. Pelo contrário, como lembra Antônio Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o maior insumo da agricultura é a água, que depende da preservação das florestas. "O agricultor que há anos viu seus riachos secarem, que está endividado, já entende que deve sim preservar água. Muitos proprietários estão restaurando suas nascentes porque acham que água é importante, não porque a lei manda", afirma D"Elia.
A ideia de distribuir o filme nas salas comerciais por meio do financiamento coletivo é mais uma estratégia para engajar a plateia. "É uma forma de levar adiante a mensagem de que a sociedade tem essa responsabilidade e pode sim recuperar essas áreas", ressalta o cineasta, lembrando que as exibições são complementadas por um debate. Sem fins lucrativos, a verba do filme será revertida para sua divulgação em universidades, escolas, sindicatos rurais e comunidades carentes. Neste mês, o documentário foi exibido na Câmara dos Deputados, em sessão organizada pela Frente Parlamentar Ambientalista.
A lei da água - Novo código florestal
Exibição do documentário. Hoje, às 21h30, na sala 8 do Espaço Itaú CasaPark. Ingressos à venda no https://agua.catarse.me
Veículo: CORREIO BRAZILIENSE - DF
Editoria: DIVERSÃO E ARTE
Autor: Anna Beatriz Lisbôa Especial para o Correio
Data: 30/03/2015
sexta-feira, 27 de março de 2015
Morreu Herberto Helder, a voz mais fulgurante da poesia portuguesa
Morreu na segunda-feira o grande mago da poesia portuguesa actual. Herberto Helder tinha 84 anos e publicara há pouco A Morte Sem Mestre, livro onde se mostrava a morrer, mas ainda tocado por esse poder criador que o tornou único.
O poeta Herberto Helder morreu esta segunda-feira na sua casa de Cascais, aos 84 anos, e apenas alguns meses após o lançamento de A Morte Sem Mestre (2014), um ofício de trevas, irado e irónico, e às vezes de uma crueza sem bálsamo: “e eu que me esqueci de cultivar: família, inocência, delicadeza,/ vou morrer como um cão deitado à fossa!”. Outras vezes sabendo que os seus misteriosos dons criadores ainda não o tinham deixado de todo: “(…) a morte faz do teu corpo um nó que bruxuleia e se apaga,/ e tu olhas para as coisas pequenas/ e para onde olhas é essa parte alumiada toda”.
Como Pedro Mexia refere na sua reacção à morte do poeta, não tardará a tornar-se pacífico que Herberto Helder é o poeta central da segunda metade do século XX, como Pessoa o foi da primeira. Mas é uma centralidade que é ao mesmo tempo uma anomalia, porque a mágica e bárbara linguagem de Herberto, mesmo na sua versão atenuada dos últimos livros, parece vir do fundo dos tempos e ter nascido por engano nesta modernidade.
Não há na poesia portuguesa pós-Pessoa nenhum poeta que tenha exercido um tal poder de atracção e gerado tantos epígonos. E nenhum mais absolutamente impossível de imitar com proveito.
Quem leu desprevenidamente esses primeiros livros de Herberto, nos anos 60 e 70, há-de ter experimentado essa sensação de que a poesia só podia ser aquilo. Foi sempre esse o maior e mais estranho dom de Herberto Helder: convencer-nos (ainda que injustamente) de que escreve directamente em poesia, como se a poesia fosse a sua língua materna, e todos os outros poetas se limitassem a traduções mais ou menos conseguidas de um idioma perdido de que só ele detinha a chave.
Nada poderia estar mais longe desta pós-modernidade culta, enfadada, cínica e céptica, do que o entendimento que Herberto tinha da poesia. Numa extraordinária entrevista que concebeu para uma revista galega e que o PÚBLICO divulgou em 1990, ele próprio escreve: “(…) o poema é um objecto carregado de poderes magníficos, terríficos: posto no sítio certo, no instante certo, segundo a regra certa, promove uma desordem e uma ordem que situam o mundo num ponto extremo: o mundo acaba e começa”. Herberto Helder não vinha entreter ninguém, vinha para viver aquilo a que um dia chamou, com inteira propriedade, a sua vida verdadeira.
Apenas um ano antes de A Morte Sem Mestre, que assinalou a passagem da sua obra para a Porto Editora, o poeta lançara em 2013, na Assírio & Alvim, o livro Servidões. Mas fora sobretudo com A Faca Não Corta o Fogo (2008) que se tornara um caso de consenso crítico quase absoluto.
O maior depois de Camões
“Herberto Helder foi um poeta poderoso, a sua obra foi um centro de atracção e um horizonte em relação ao qual todos os seus contemporâneos tiveram de se situar”, diz o crítico António Guerreiro. “Como antes tinha acontecido com Fernando Pessoa, também houve um ‘efeito Herberto Helder’”.
Visivelmente emocionada com a notícia da morte de Herberto Helder, a escritora Maria Velho da Costa disse ao PÚBLICO que “morreu o maior poeta português depois de Luís de Camões”. A romancista, que vê em A Morte Sem Mestre “um longo poema, belíssimo”, conclui com um apelo: “Se as minhas palavras tivessem alguma influência, eu propunha um dia de luto nacional”.
“Quando morre um poeta com a dimensão de Herberto Helder, o que sentimos é que não apenas morreu um poeta mas a poesia”, declarou ao PÚBLICO o poeta madeirense José Tolentino Mendonça. “Nestes casos o luto torna-se insuportável e, ao mesmo tempo, este luto faz-nos perceber que Herberto Helder é imortal com a sua obra. Daqui a mil anos, se subsistir um falante de língua portuguesa, a poesia de Herberto Helder subsistirá”.
Num testemunho recolhido pela agência Lusa, o crítico e poeta Pedro Mexia considera que “o lugar de Herberto Helder na literatura portuguesa equivalerá ao de Fernando Pessoa na primeira metade do século XX”, algo que, acrescenta, “se começou a dizer há algum tempo e que se tornará, com o tempo, uma coisa pacífica, sem prejuízo dos grandes poetas da geração dele”
Desde O Amor em Visita, ainda no fim dos anos 50, até A Morte sem Mestre, já em pleno século XXI, a produção escrita de Herberto Helder criou um universo em permanente expansão e revisão, um poema contínuo constantemente reescrito. Cuja última formulação ficou agora irremediavelmente fixada pela sua morte nos recém-lançados Poemas Completos (Porto Editora, 2014), um título, aliás, algo desconcertante para quem nunca parece ter visto na sua obra uma sucessão discreta de poemas autónomos e fechados.
Se é inegável que Herberto Helder é hoje um poeta muito conhecido, a ponto de cada novo livro se esgotar num ápice – o que não quer necessariamente dizer que tenha assim tantos leitores –, nunca alimentou essa notoriedade com a exibição da sua pessoa civil. Já na sua poesia, pode dizer-se que os seus últimos livros assinalam uma inflexão marcada por uma mais nítida e declarativa dimensão autobiográfica, com todas as cautelas que a palavra exige quando aplicada a um poeta.
“Os meus restos mortais”
“Foi muito inesperado”, confessa o poeta Gastão Cruz sobre a morte de Herberto. “Tinha tido um contacto recente com ele, o que já não acontecia há algum tempo”, conta. No final de Janeiro Herberto enviou-lhe um exemplar dos Poemas Completos com uma dedicatória: “Aqui vão os meus restos mortais”.
Gastão Cruz lembra que conviveu muito com o poeta mais velho nos anos 60 e 70. “Primeiro, no restaurante Toni dos Bifes, ao lado do prédio onde vivia Carlos de Oliveira, e depois da morte de Carlos de Oliveira no café Monte Carlo.
Herberto era muito amigo do poeta de Sobre o Lado Esquerdo e “sentiu muito a sua morte”, diz Gastão Cruz: “A morte afectava-o, ele manifesta uma grande dificuldade em enfrentar o envelhecimento e a morte, e isso é muito visível em Servidões e em A Morte sem Mestre”.
Num e no outro livro, diz ainda, “vai por caminhos de linguagem diferentes dos anteriores, mais metafóricos, mas continua a ter uma linguagem fulgurante, só que com mais referências ao concreto”. A última poesia de Herberto “era de uma grande força verbal”, diz, e “mantinha uma ligação profunda com o que sempre foi a poesia dele, uma poesia de um poema único”.
O poeta prefere não estabelecer comparações, mas não hesita em afirmar que Herberto é um dos nomes de primeira linha da poesia portuguesa. “É extraordinário como na segunda metade do século XX, depois de um fenómeno como Fernando Pessoa, a poesia conseguiu renovar-se”, nota. “Surgiram poetas excelentes e ele é um dos maiores dessa geração onde estão Ruy Belo, Luiza Neto Jorge, ou poetas um pouco mais velhos, como Sophia e Carlos de Oliveira”.
Sobre a marca que Herberto deixa, Gastão Cruz remete para um ensaio de António Ramos Rosa, Herberto Helder – Poeta Órfico, onde este diz que Herberto Helder “é um poeta visionário e um poeta órfico da estirpe de um Hölderlin ou de um Rilke”.
A sua poesia “cruza o modernismo e o surrealismo com algumas coisas dos poetas do romantismo alemão”, mas há nela “uma intensidade própria” que Gastão Cruz associa a algo que o poeta um dia lhe confidenciou: “Disse-me que a poesia dele parte da tragédia pessoal que foi a perda da mãe aos oito anos”. E cita os versos de A Colher na Boca em que Herberto diz que “No sorriso louco das mães batem as leves/ gotas de chuva (…)”. “Ele podia ter deixado apenas esse livro e já seria suficiente para o considerar único”, diz Gastão Cruz.
“Do lado da verdade”
“Agora há um enorme silêncio”, diz Jaime Rocha, cujo testemunho confirma bem o hipnótico poder de sedução que a poesia de Herberto exerce sobre quem tomba de improviso nesta verdadeira língua por direito próprio. “Tínhamos vinte anos de diferença e a poesia dele apanhou-me quando eu tinha 17, 18 anos, e qualquer ideia de pensamento poético a partir desse momento se alterou, a minha relação com o texto mudou”, disse ao PÚBLICO Jaime Rocha, pseudónimo do escritor e jornalista Rui Ferreira e Sousa. “Demorei mais 25 anos a tentar encontrar um texto meu, uma palavra minha que conseguisse sair daquela força, daquela sedução”, garante.
“Herberto Helder é para mim o poeta mais importante, o que mais me influenciou de uma geração que incluía Sophia ou Eugénio de Andradiz ainda. “Dava-me uma força que só encontro no mar da Nazaré, a minha terra, um mar de tragédia, dramático”. E voltando à triste notícia da morte do poeta, constata: “Fomos construindo uma bola muito grande à volta do Herberto e nestes dias fica um grande vazio”.
A ensaísta Rosa Maria Martelo afirma dever a Herberto Helder “horas sem conta de pura alegria de ler, de vislumbre, de paixão das coisas do mundo”. E ao saber que o poeta “morreu de morte súbita”, diz que “ter sido assim de repente” lhe parece “de uma grande justiça”. Nos últimos livros, recorda, “tinha antecipado muitas vezes a morte própria, vivendo-a em poemas exasperados, sem querer fugir à violência, ao pânico, mas em certos textos desejava isto mesmo: morrer depressa e sem dor”. E acrescenta: “Ele que nos últimos livros morreu tantas vezes, com evidente sofrimento”.
Herberto deixa-nos, diz, “uma das obras maiores alguma vez escritas em língua portuguesa, porque na sua poesia a língua extrema-se em subtileza, nitidez, precisão conceptual e plástica”. E sublinha que o poeta “escreveu com paixão absoluta” para notar que, “nestes tristes tempos, em que o significado das palavras flutua constantemente ao sabor de interesses e compromissos”, ele nos deixa “uma escrita que acontece literalmente no reverso disso, do lado da verdade, que é onde as palavras são um corpo vivo, sempre acabado de nascer”.
Poema contínuo
Nascido em 1930 no Funchal, Herberto Helder publicou os seus primeiros poemas em antologias madeirenses – Arquipélago (1952) e Poemas Bestiais (1954) –, e ainda na revista Búzio, editada por António Aragão. A sua obra de estreia, O Amor em Visita, um pequeno folheto editado pela Contraponto, saiu em 1958, quando frequentava, em Lisboa, o grupo surrealista que se reunia no Café Gelo, convivendo com Mário Cesariny, António José Forte ou Luiz Pacheco.
Por esta altura, abandonada a frequência universitária em Coimbra (primeiro de Direito e depois de Filologia Românica), o poeta tivera já vários empregos precários – passou pela Caixa Geral de Depósitos, angariou publicidade, trabalhou no Serviço Meteorológico e foi delegado de propaganda médica.
Em 1961, publicou o livro que desde logo o consagraria como uma das vozes fundamentais da poesia portuguesa: A Colher na Boca, editado pela Ática, a chancela que então publicava as obras de Fernando Pessoa. Ruy Belo, que também publicou na Ática, e no mesmo ano, o seu primeiro livro, Aquele Grande Rio Eufrates, contou a Joaquim Manuel Magalhães, segundo este narra em Os Dois Crepúsculos (1981), que “ao ver em provas na editora o livro de Herberto Helder, teria sentido ser esse o livro e não o seu”.
Entre a publicação, em 1958, do longo poema O Amor em Visita, cujos versos iniciais todos os jovens leitores de poesia portuguesa contemporânea sabiam de cor nos anos 60 e 70 – “Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra/ e seu arbusto de sangue. Com ela/ encantarei a noite (…)” – e o lançamento de A Colher na Boca, o poeta viajou pela Europa.
Tornou-se mítico o ecléctico e pitoresco inventário de ofícios que foi desempenhando para sobreviver enquanto deambulava pela França, Holanda e Bélgica. Foi operário metalúrgico, empregado numa cervejaria, cortador de legumes numa casa de sopas, guia de marinheiros em Amsterdão e empacotador de aparas de papel, curiosa ocupação para alguém que irá demonstrar uma permanente pulsão para se transformar, ele próprio, em papel, desaparecendo no interior da obra.
Regressado a Lisboa, trabalha nas Bibliotecas Itinerantes da Gulbenkian. Depois passa pela Emissora Nacional e pela RTP, trabalha em publicidade e torna-se, em 1969, director literário da Estampa, onde dá início à edição das obras de Almada Negreiros, que sempre admirará.
Em 1963, publicara um livro que basta para lhe assegurar também um altíssimo lugar entre os prosadores portugueses contemporâneos, Os Passos em Volta. Ainda nos anos 60, saem Poemacto (1961), Lugar (1962), Electronicolírica (1964), depois reintitulado A Máquina Lírica, Húmus (1967), o seu fascinante diálogo com Raul Brandão, e Retrato em Movimento (1967). Em 1968 publica O Bebedor Nocturno, o primeiro devários volumes de traduções de poesia, e Apresentação do Rosto, título que mais tarde rejeitará, ainda que vários dos textos que o compõem ressurjam depois noutros livros.
No início dos anos 70, volta a viajar pela Europa e, em 1971, trabalha em Angola para a revista Notícia, de Luanda. Numa das suas reportagens, ao viajar com o seu colega Eduardo Guimarães, que ia ao volante, sofre um grave acidente de viação que quase lhe custa a vida.
Novamente em Lisboa, trabalha na editora Arcádia, e também na RDP, e colabora em várias publicações, sendo um dos organizadores da revista Nova (1976).
Em 1968 afirmara ir deixar de escrever – voltará a fazê-lo mais vezes –, e, de facto, descontado Vocação Animal (1971), não publica nenhum novo livro até Cobra (1977), se exceptuarmos também os dois volumes da Poesia Toda, publicados na Plátano em 1973, ano em que viaja para os Estados Unidos.
Mas Cobra assinala o início de um período muito criativo, que inclui O Corpo o Luxo a Obra (1978), Flash (1980), ou A Cabeça Entre as Mãos (1982). E ainda o volume de prosa e poesia Photomaton & Vox (1979), o primeiro lançado com a chancela da Assírio & Alvim, de Hermínio Monteiro e Manuel Rosa, que será durante décadas a sua editora.
Se descontarmos as compilações e traduções, e a sua muito pessoal antologia da poesia moderna portuguesa, Edoi Lelia Doura (1985), segue-se mais um período de silêncio até A Última Ciência (1988), e outros seis anos até Do Mundo, publicado em 1994, o mesmo ano em que lhe é atribuído o Prémio Pessoa, que Herberto Helder recusa, pedindoao júri que não o anunciassem como vencedor e dessem o prémio a outro.
Embora continue a reescrever a obra, Herberto eclipsa-se depois durante quase uma década e meia. Mas o seu regresso com A Faca Não Corta o Fogo, possivelmente o melhor livro de poesia portuguesa do século XXI, é avassalador. Em 2013 publicou Servidões, e em 2014 saiu A Morte Sem Mestre, que assinalou a sua passagem para a Porto Editora e recebeu críticas desiguais, quebrando pela primeira vez o consenso quase absoluto que se gerara em torno da sua obra.
Herberto Helder vivia actualmente com a sua segunda mulher, Olga Ferreira Lima, em Cascais. Era pai de Daniel Oliveira, político e colunista, e de Gisela Oliveira. O seu funeral realiza-se hoje e vai ser reservado à família, informa a Porto Editora.
com Isabel Lucas, Isabel Coutinho e Hugo Pinto Santos
Fonte: http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/morreu-herberto-helder-a-voz-mais-fulgurante-da-poesia-portuguesa-1690151
Não há na poesia portuguesa pós-Pessoa nenhum poeta que tenha exercido um tal poder de atracção e gerado tantos epígonos. E nenhum mais absolutamente impossível de imitar com proveito.
Quem leu desprevenidamente esses primeiros livros de Herberto, nos anos 60 e 70, há-de ter experimentado essa sensação de que a poesia só podia ser aquilo. Foi sempre esse o maior e mais estranho dom de Herberto Helder: convencer-nos (ainda que injustamente) de que escreve directamente em poesia, como se a poesia fosse a sua língua materna, e todos os outros poetas se limitassem a traduções mais ou menos conseguidas de um idioma perdido de que só ele detinha a chave.
Nada poderia estar mais longe desta pós-modernidade culta, enfadada, cínica e céptica, do que o entendimento que Herberto tinha da poesia. Numa extraordinária entrevista que concebeu para uma revista galega e que o PÚBLICO divulgou em 1990, ele próprio escreve: “(…) o poema é um objecto carregado de poderes magníficos, terríficos: posto no sítio certo, no instante certo, segundo a regra certa, promove uma desordem e uma ordem que situam o mundo num ponto extremo: o mundo acaba e começa”. Herberto Helder não vinha entreter ninguém, vinha para viver aquilo a que um dia chamou, com inteira propriedade, a sua vida verdadeira.
Apenas um ano antes de A Morte Sem Mestre, que assinalou a passagem da sua obra para a Porto Editora, o poeta lançara em 2013, na Assírio & Alvim, o livro Servidões. Mas fora sobretudo com A Faca Não Corta o Fogo (2008) que se tornara um caso de consenso crítico quase absoluto.
O maior depois de Camões
“Herberto Helder foi um poeta poderoso, a sua obra foi um centro de atracção e um horizonte em relação ao qual todos os seus contemporâneos tiveram de se situar”, diz o crítico António Guerreiro. “Como antes tinha acontecido com Fernando Pessoa, também houve um ‘efeito Herberto Helder’”.
Visivelmente emocionada com a notícia da morte de Herberto Helder, a escritora Maria Velho da Costa disse ao PÚBLICO que “morreu o maior poeta português depois de Luís de Camões”. A romancista, que vê em A Morte Sem Mestre “um longo poema, belíssimo”, conclui com um apelo: “Se as minhas palavras tivessem alguma influência, eu propunha um dia de luto nacional”.
“Quando morre um poeta com a dimensão de Herberto Helder, o que sentimos é que não apenas morreu um poeta mas a poesia”, declarou ao PÚBLICO o poeta madeirense José Tolentino Mendonça. “Nestes casos o luto torna-se insuportável e, ao mesmo tempo, este luto faz-nos perceber que Herberto Helder é imortal com a sua obra. Daqui a mil anos, se subsistir um falante de língua portuguesa, a poesia de Herberto Helder subsistirá”.
Num testemunho recolhido pela agência Lusa, o crítico e poeta Pedro Mexia considera que “o lugar de Herberto Helder na literatura portuguesa equivalerá ao de Fernando Pessoa na primeira metade do século XX”, algo que, acrescenta, “se começou a dizer há algum tempo e que se tornará, com o tempo, uma coisa pacífica, sem prejuízo dos grandes poetas da geração dele”
Desde O Amor em Visita, ainda no fim dos anos 50, até A Morte sem Mestre, já em pleno século XXI, a produção escrita de Herberto Helder criou um universo em permanente expansão e revisão, um poema contínuo constantemente reescrito. Cuja última formulação ficou agora irremediavelmente fixada pela sua morte nos recém-lançados Poemas Completos (Porto Editora, 2014), um título, aliás, algo desconcertante para quem nunca parece ter visto na sua obra uma sucessão discreta de poemas autónomos e fechados.
Se é inegável que Herberto Helder é hoje um poeta muito conhecido, a ponto de cada novo livro se esgotar num ápice – o que não quer necessariamente dizer que tenha assim tantos leitores –, nunca alimentou essa notoriedade com a exibição da sua pessoa civil. Já na sua poesia, pode dizer-se que os seus últimos livros assinalam uma inflexão marcada por uma mais nítida e declarativa dimensão autobiográfica, com todas as cautelas que a palavra exige quando aplicada a um poeta.
“Os meus restos mortais”
“Foi muito inesperado”, confessa o poeta Gastão Cruz sobre a morte de Herberto. “Tinha tido um contacto recente com ele, o que já não acontecia há algum tempo”, conta. No final de Janeiro Herberto enviou-lhe um exemplar dos Poemas Completos com uma dedicatória: “Aqui vão os meus restos mortais”.
Gastão Cruz lembra que conviveu muito com o poeta mais velho nos anos 60 e 70. “Primeiro, no restaurante Toni dos Bifes, ao lado do prédio onde vivia Carlos de Oliveira, e depois da morte de Carlos de Oliveira no café Monte Carlo.
Herberto era muito amigo do poeta de Sobre o Lado Esquerdo e “sentiu muito a sua morte”, diz Gastão Cruz: “A morte afectava-o, ele manifesta uma grande dificuldade em enfrentar o envelhecimento e a morte, e isso é muito visível em Servidões e em A Morte sem Mestre”.
O poeta prefere não estabelecer comparações, mas não hesita em afirmar que Herberto é um dos nomes de primeira linha da poesia portuguesa. “É extraordinário como na segunda metade do século XX, depois de um fenómeno como Fernando Pessoa, a poesia conseguiu renovar-se”, nota. “Surgiram poetas excelentes e ele é um dos maiores dessa geração onde estão Ruy Belo, Luiza Neto Jorge, ou poetas um pouco mais velhos, como Sophia e Carlos de Oliveira”.
Sobre a marca que Herberto deixa, Gastão Cruz remete para um ensaio de António Ramos Rosa, Herberto Helder – Poeta Órfico, onde este diz que Herberto Helder “é um poeta visionário e um poeta órfico da estirpe de um Hölderlin ou de um Rilke”.
A sua poesia “cruza o modernismo e o surrealismo com algumas coisas dos poetas do romantismo alemão”, mas há nela “uma intensidade própria” que Gastão Cruz associa a algo que o poeta um dia lhe confidenciou: “Disse-me que a poesia dele parte da tragédia pessoal que foi a perda da mãe aos oito anos”. E cita os versos de A Colher na Boca em que Herberto diz que “No sorriso louco das mães batem as leves/ gotas de chuva (…)”. “Ele podia ter deixado apenas esse livro e já seria suficiente para o considerar único”, diz Gastão Cruz.
“Do lado da verdade”
“Agora há um enorme silêncio”, diz Jaime Rocha, cujo testemunho confirma bem o hipnótico poder de sedução que a poesia de Herberto exerce sobre quem tomba de improviso nesta verdadeira língua por direito próprio. “Tínhamos vinte anos de diferença e a poesia dele apanhou-me quando eu tinha 17, 18 anos, e qualquer ideia de pensamento poético a partir desse momento se alterou, a minha relação com o texto mudou”, disse ao PÚBLICO Jaime Rocha, pseudónimo do escritor e jornalista Rui Ferreira e Sousa. “Demorei mais 25 anos a tentar encontrar um texto meu, uma palavra minha que conseguisse sair daquela força, daquela sedução”, garante.
“Herberto Helder é para mim o poeta mais importante, o que mais me influenciou de uma geração que incluía Sophia ou Eugénio de Andradiz ainda. “Dava-me uma força que só encontro no mar da Nazaré, a minha terra, um mar de tragédia, dramático”. E voltando à triste notícia da morte do poeta, constata: “Fomos construindo uma bola muito grande à volta do Herberto e nestes dias fica um grande vazio”.
A ensaísta Rosa Maria Martelo afirma dever a Herberto Helder “horas sem conta de pura alegria de ler, de vislumbre, de paixão das coisas do mundo”. E ao saber que o poeta “morreu de morte súbita”, diz que “ter sido assim de repente” lhe parece “de uma grande justiça”. Nos últimos livros, recorda, “tinha antecipado muitas vezes a morte própria, vivendo-a em poemas exasperados, sem querer fugir à violência, ao pânico, mas em certos textos desejava isto mesmo: morrer depressa e sem dor”. E acrescenta: “Ele que nos últimos livros morreu tantas vezes, com evidente sofrimento”.
Herberto deixa-nos, diz, “uma das obras maiores alguma vez escritas em língua portuguesa, porque na sua poesia a língua extrema-se em subtileza, nitidez, precisão conceptual e plástica”. E sublinha que o poeta “escreveu com paixão absoluta” para notar que, “nestes tristes tempos, em que o significado das palavras flutua constantemente ao sabor de interesses e compromissos”, ele nos deixa “uma escrita que acontece literalmente no reverso disso, do lado da verdade, que é onde as palavras são um corpo vivo, sempre acabado de nascer”.
Poema contínuo
Nascido em 1930 no Funchal, Herberto Helder publicou os seus primeiros poemas em antologias madeirenses – Arquipélago (1952) e Poemas Bestiais (1954) –, e ainda na revista Búzio, editada por António Aragão. A sua obra de estreia, O Amor em Visita, um pequeno folheto editado pela Contraponto, saiu em 1958, quando frequentava, em Lisboa, o grupo surrealista que se reunia no Café Gelo, convivendo com Mário Cesariny, António José Forte ou Luiz Pacheco.
Por esta altura, abandonada a frequência universitária em Coimbra (primeiro de Direito e depois de Filologia Românica), o poeta tivera já vários empregos precários – passou pela Caixa Geral de Depósitos, angariou publicidade, trabalhou no Serviço Meteorológico e foi delegado de propaganda médica.
Em 1961, publicou o livro que desde logo o consagraria como uma das vozes fundamentais da poesia portuguesa: A Colher na Boca, editado pela Ática, a chancela que então publicava as obras de Fernando Pessoa. Ruy Belo, que também publicou na Ática, e no mesmo ano, o seu primeiro livro, Aquele Grande Rio Eufrates, contou a Joaquim Manuel Magalhães, segundo este narra em Os Dois Crepúsculos (1981), que “ao ver em provas na editora o livro de Herberto Helder, teria sentido ser esse o livro e não o seu”.
Entre a publicação, em 1958, do longo poema O Amor em Visita, cujos versos iniciais todos os jovens leitores de poesia portuguesa contemporânea sabiam de cor nos anos 60 e 70 – “Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra/ e seu arbusto de sangue. Com ela/ encantarei a noite (…)” – e o lançamento de A Colher na Boca, o poeta viajou pela Europa.
Tornou-se mítico o ecléctico e pitoresco inventário de ofícios que foi desempenhando para sobreviver enquanto deambulava pela França, Holanda e Bélgica. Foi operário metalúrgico, empregado numa cervejaria, cortador de legumes numa casa de sopas, guia de marinheiros em Amsterdão e empacotador de aparas de papel, curiosa ocupação para alguém que irá demonstrar uma permanente pulsão para se transformar, ele próprio, em papel, desaparecendo no interior da obra.
Regressado a Lisboa, trabalha nas Bibliotecas Itinerantes da Gulbenkian. Depois passa pela Emissora Nacional e pela RTP, trabalha em publicidade e torna-se, em 1969, director literário da Estampa, onde dá início à edição das obras de Almada Negreiros, que sempre admirará.
Em 1963, publicara um livro que basta para lhe assegurar também um altíssimo lugar entre os prosadores portugueses contemporâneos, Os Passos em Volta. Ainda nos anos 60, saem Poemacto (1961), Lugar (1962), Electronicolírica (1964), depois reintitulado A Máquina Lírica, Húmus (1967), o seu fascinante diálogo com Raul Brandão, e Retrato em Movimento (1967). Em 1968 publica O Bebedor Nocturno, o primeiro devários volumes de traduções de poesia, e Apresentação do Rosto, título que mais tarde rejeitará, ainda que vários dos textos que o compõem ressurjam depois noutros livros.
No início dos anos 70, volta a viajar pela Europa e, em 1971, trabalha em Angola para a revista Notícia, de Luanda. Numa das suas reportagens, ao viajar com o seu colega Eduardo Guimarães, que ia ao volante, sofre um grave acidente de viação que quase lhe custa a vida.
Novamente em Lisboa, trabalha na editora Arcádia, e também na RDP, e colabora em várias publicações, sendo um dos organizadores da revista Nova (1976).
Em 1968 afirmara ir deixar de escrever – voltará a fazê-lo mais vezes –, e, de facto, descontado Vocação Animal (1971), não publica nenhum novo livro até Cobra (1977), se exceptuarmos também os dois volumes da Poesia Toda, publicados na Plátano em 1973, ano em que viaja para os Estados Unidos.
Mas Cobra assinala o início de um período muito criativo, que inclui O Corpo o Luxo a Obra (1978), Flash (1980), ou A Cabeça Entre as Mãos (1982). E ainda o volume de prosa e poesia Photomaton & Vox (1979), o primeiro lançado com a chancela da Assírio & Alvim, de Hermínio Monteiro e Manuel Rosa, que será durante décadas a sua editora.
Se descontarmos as compilações e traduções, e a sua muito pessoal antologia da poesia moderna portuguesa, Edoi Lelia Doura (1985), segue-se mais um período de silêncio até A Última Ciência (1988), e outros seis anos até Do Mundo, publicado em 1994, o mesmo ano em que lhe é atribuído o Prémio Pessoa, que Herberto Helder recusa, pedindoao júri que não o anunciassem como vencedor e dessem o prémio a outro.
Embora continue a reescrever a obra, Herberto eclipsa-se depois durante quase uma década e meia. Mas o seu regresso com A Faca Não Corta o Fogo, possivelmente o melhor livro de poesia portuguesa do século XXI, é avassalador. Em 2013 publicou Servidões, e em 2014 saiu A Morte Sem Mestre, que assinalou a sua passagem para a Porto Editora e recebeu críticas desiguais, quebrando pela primeira vez o consenso quase absoluto que se gerara em torno da sua obra.
Herberto Helder vivia actualmente com a sua segunda mulher, Olga Ferreira Lima, em Cascais. Era pai de Daniel Oliveira, político e colunista, e de Gisela Oliveira. O seu funeral realiza-se hoje e vai ser reservado à família, informa a Porto Editora.
com Isabel Lucas, Isabel Coutinho e Hugo Pinto Santos
Fonte: http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/morreu-herberto-helder-a-voz-mais-fulgurante-da-poesia-portuguesa-1690151
terça-feira, 24 de março de 2015
FIGURAS - Lançamento da poeta Marina Mara
Março é o mês da poesia, "da mulher" e no último dia do mês a ariana poeta Marina Mara lançará seu livro Figuras e celebrará seu aniversário - e você éo convidado mais que especial dessa festa.
O livro Figuras traz 123 poemas escritos em diferentes momentos da vida da autora, porém, todos com a mesma textura lírica e ativista. O livro será lançado também na versão e-book pela editora Kiron, com sede em Taguatinga, cidade natal da poeta Marina Mara. O ativismo literário de Marina Mara está presente nos 123 poemas deste livro, que também presta homenagem a algumas "figuras" ímpares como Honestino Guimarães, Pagu, Patativa do Assaré, Fela Kuti, Leila Diniz, Laerte Coutinho, Manoel de Barros, Baden Powell, Reynaldo Jardim, entre outros seres imprescindíveis para nossa formação ideológica e poética. O prefácio do livro é do mestre Tom Zé, guru amoroso de Marina Mara e figura imprescindível que dispensa apresentações.
A ilustração da capa do livro é da artista plástica e tatuadora Téssia Araújo, que expressou com sua arte a essência dos poemas e da autora em cada traço e cada tom de aquarela que ilustra o livro Figuras. Conheça mais sobre a artista no http://instagram.com/tessiatattoo .
Como sempre, nosso palco está aberto à poesia de quem chegar. A noite dessa terça está recheada de surpresas musicais, líricas e inesquecíveis, além do sorteio de um Day SPA Poético do Lotus SPA, um ensaio fotográfico da Mirah Fotografia, livros, imãs poéticos e no mais, quem vier ver, verá.
AniverLounge, parabéns a quem vier ♥ !
SERVIÇO
Lançamento do Livro Figuras e Niver da poeta Marina Mara
Dia 31/03
Das 20h às 1h30
Entrada: um sorriso
Apoio: Balaio Café
Produção: Marina Mara
Marina Mara é poeta, publicitária, ativista cultural, atriz, roteirista, designer gráfico, consultora de projetos poéticos e literários. Atua pelo Brasil desde 2006 com projetos multimídia que abordam a poesia em diferentes formatos como grafite, quadrinhos, cinema, artes visuais, teatro, intervenções urbanas, internet.
Dedicada exclusivamente à poesia, Marina viajou o país ministrando cursos e oficinas poéticas em feiras literárias e coletivos de arte. Em maio de 2010, Marina Mara lançou seu primeiro livro solo, o SarauSanitário.com, que é parte de um projeto homônimo que distribuiu poesia por banheiros públicos e pelo mundo virtual. Em março de 2012, Marina produziu a Parada Poética, reunindo cerca de cinquenta artistas (e amigos) no palco-caminhão do Teatro Mapati para celebrar o Dia Mundial da Poesia. Em junho de 2012, Marina foi convidada a se apresentar na Cúpula dos Povos na Rio +20 e também realizou intervenções poéticas Rio a fora, distribuindo cerca de 500 poemas em troca de sorrisos. Em outubro do mesmo ano, Marina realizou a segunda edição do projeto Declame para Drummond, um intercâmbio de poesia autoral em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade que distribuiu poemas por todos os estados do Brasil, em algumas cidades de Portugal, Espanha, Itália, Noruega, Suíça, Timor Leste, para os brasileiros que lá residem, principalmente, totalizando cerca de 50 mil poemas.
Em 2013 Marina lançou o curso Profissão Poeta que pretende, de forma prática e descontraída, indicar o caminho das pedras – que haverão no meio do caminho – entre poetas e o público/mercado. Os temas abordados no Curso são: publicação de poesia, captação de recursos, produção independente, dicas de palco e Poesia Falada, divulgação na mídia, poesia na internet, estratégias de marketing, entre outros. No Rio de Janeiro, Marina foi selecionada para participar do Festival Internacional de Teatro Home Theatre em 2013, onde dirigiu e atuou em o espetáculo poético autoral Sarau Sanitário. Em novembro de 2013, Marina foi uma das poetas convidadas da Feira do Livro de Pelotas – RS, da qual também participaram Alice Ruiz, Chacal e Nicolas Behr.
Em julho de 2014 foi mês de nascimento do Lounge Poético, um laboratório-sarau realizado semanalmente em Brasília com sucesso de público e entrada gratuita.A proposta do Lounge é lançar novos poetas, fomentar a cena local, formar público para a poesia e oferecer aos poetas oficinas e vivências lúdicas com artistas de renome na cena literária como a escritora Elisa Lucinda. Marina Mara ministrou várias oficinas em 2014, entre elas: Poesia Ativista no projeto Mapa Gentil; Roteiros e zines no Jovem de Expressão – Ceilândia - DF; Profissão Poeta em algumas feiras literárias e coletivos de artistas pelo Brasil. Em outubro desse ano a poeta produziu a terceira edição do Declame para Drummond, com a participação de 180 poetas de todo o país. Ainda em 2014, Marina participou do longa-metragem Menina de Barro, do diretor Vinícius Machado, e do curta-metragem Diana, do mesmo diretor. No mesmo ano Marina Mara ministrou o curso Mulheres que Correm com os Lobos, com foco na autoestima e valorização do Sagrado Feminino.
Em 2015 Marina Mara idealizou e produziu o calendário Poesia Nua, no qual quinze poetas posaram nus para arrecadar fundos para publicação de livros, recebendo grande destaque nos principais veículos de comunicação do país. O calendário trabalhou fotografia, poesia autoral e a arte urbana do artista londrino Banksy – artes gráficas feitas por Marina Mara. Em fevereiro Marina Mara colocou o bloco Rejunta meu Bulcão na rua como coordenadora e idealizadora propondo uma homenagem poética ao artista Athos Bulcão e a Brasília - foram mais de mil e quinhentas pessoas ocupando as ruas da cidade de forma poética, iniciativa que foi pauta de vários jornais, inclusive o jornal TeleSur, que deu ao bloco visibilidade internacional. Em março de 2015, Marina lançou dois cursos de interpretação de poesia, o Poeteen, para jovens e o Poesia no Palco, para adultos. No fim deste mês Marina lançará seu livro Figuras, com 123 poemas e prefácio de Tom Zé.
“Ser romântico é achar que tudo são flores, ser poético é plantá-las”.
Marina Mara https://www.facebook.com/events/691099094333842 quinta-feira, 19 de março de 2015
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