Batom
d’Amor e Morte

No clima dos anos 80 em
Brasília, das casas onde o cardápio era cultura brasiliense, o Bom Demais da
Cristina Roberto, a Praça Vermelha, o Bar da Raimunda, o subsolo do Conic com o
surreal beijo à realidade em uma cidade que pulsava vinte e quatro horas com seus
biônicos, seus funcionários e seus subterrâneos. No Gama, O Cervejinha e em Taguatinga o bar
do Kareca eram circuito obrigatório para um bate papo regado a álcool,
política, amores dentre outros ingredientes.
Nesse universo, foi
escrito Batom d’Amor e Morte em guardanapos, pedaços de papel, alguns datilografados,
muitos perdidos. O jornalista Marcelo Sirkis, numa conversa no bar Belas
Artes, do Ivan da Presença, no ainda sobrevivente Conic, assume a captura, a
organização dos poemas, os quais foram copiados para um disquete, só anos
depois pude ver o resultado, graças a esta cópia feita pelo Sirkis pude resgatar e transformar o projeto em
livro.
Trinta anos após, o computador é
mais do que uma ferramenta, é uma extensão do homem, os disquetes já não são
mais usados, a internet modificou o conceito de distância, as casas noturnas
estão fechadas, os bares encerram-se às duas da manhã, a cidade mudou, o boêmio
de trinta anos atrás não existe, a boemia é outra, os lupanares são outros.
Talvez não falem de política, não leem poesia, não acordem na feira do Guará,
talvez sejam boêmios sem Lupicínio Rodrigues.
Inúmeras pessoas participaram
comigo nesta universidade que é a noite brasiliense. Agradeço a todas pelos
poemas, pelo poeta e boêmio aposentado que hoje sou. Uma pessoa a quem eu dedico este livro, com
um agradecimento especial, é o jornalista que era só coração; Wilson Miranda, o
Brother.
O romantismo de um boêmio
lupiciniano numa viagem aos bares, becos e submundo é a temática dos poemas de
Batom d’Amor e Morte.
Jorge Amancio
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