terça-feira, 17 de junho de 2014

Autor de Esperando na janela afirma guardar 16 inéditas da Legião Urbana

Blanch Van Gogh, autor do hit Esperando na janela, fala sobre a relação com Renato Russo


Alexandre Gaioto - Especial para o Correio
Publicação: 17/06/2014 07:30 Atualização: 17/06/2014 09:02
 
“Tem um cara muito estranho querendo falar com você”, avisa a secretária, discretamente apontando para a sala ao lado. Curiosa, ela indaga quem é o sujeito. Digo o nome dele e de sua banda: Blanch Van Gogh, cantor e letrista do Cogumelo Plutão. Não adianta nada. Tento cantarolar, em vão, os versos de Esperando na janela, o maior — e único — hit da banda brasiliense. A secretária sai de cena um pouco desapontada e sigo ao encontro de Blanch.




Blanch Van Gogh e Renato Russo mantiveram forte amizade no início da década de 1990

Mesmo que ela se lembrasse da fisionomia do cantor, seria impossível reconhecê-lo, ali, sentado à mesa: acima do peso, rosto inchado, o cabelo todo ensebado e desgrenhado, não dá para imaginá-lo rolando no chão e entoando o tal hit da janela, como ele fez no clipe da música em 2000.

Gente boa, Blanch estende a mão e vai direto ao assunto: 14 anos depois dos poucos minutos de fama e do misterioso desparecimento de sua banda — que sumiu do mapa sem qualquer aviso oficial —, ele está retomando, finalmente, o Cogumelo Plutão. “Quero começar pelo Paraná porque nosso último show foi aqui no estado. Precisamos fechar esse ciclo e iniciar um novo”, justifica. Empolgado, ele adianta que, em julho, sai o álbum de músicas inéditas (Amor à primeira vista) e que a turnê, composta por 40 shows, começa em agosto. Ainda não há datas confirmadas.

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2014/06/17/interna_diversao_arte,433032/autor-de-esperando-na-janela-afirma-guardar-16-ineditas-da-legiao-urbana.shtml

Esperando na janela - Cogumelo Plutão

"AFRONOITE" - Show de música afrobrasileira de raiz


"AFRONOITE"
Show de música afrobrasileira de raiz:
Partido Alto, Samba de Roda, Afoxé, Semba, Morna, Baião e outros ritmos afro brasileiros.

Com os músicos:
Ana Soares e Thaís Fread (voz)
Leandro Morais (violão e voz)
Jorge Macarrão (Percussão)

Data: Sexta feira, 20/06/2014.
Local: Restaurante Nosso Mar - CLS 115, bloco B - subsolo. Asa Norte
Reservas: 33496556
Couvert: R$ 15,00


Espetáculo não recomendado para menores de 14 anos.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

TODOS NÓS TIVEMOS O NOSSO RIO

artigo - Teresina-PI
06/06/2014 20:18
Francisco Miguel de Moura
Escritor brasileiro

Todos nós, principalmente os interioranos, tivemos o rio da nossa infância. E esta lembrança, às vezes traz saudade, sentimento natural que vem por conta de que a água preenche cerca de dois terços do nosso mundo, o planeta Terra. Assim é o nosso corpo também: 70% de líquido, embora animais terrestres.  Todos os poetas têm um rio para cantar. Fernando Pessoa é o grande exemplo. Num poema em que diz amar o rio Tejo. “Só que o Tejo não corre por minha aldeia”. Mas, certamente, as águas do rio de sua aldeia desaguariam no Tejo. Com o trocadilho, faz uma imagem belíssima do seu rio. Da Costa e Silva tem o “Parnaíba, o velho monge, as barbas brancas alongando e, ao longe, o mugido dos bois de minha terra” - o grande rio da saudade do maior poeta piauiense.  Já o meu rio de criança, qual é? O Parnaíba também é o meu rio, “só que ele não passa por minha aldeia”. Em “Jenipapeiro”, minha aldeia, quem passa é um rio que não é rio, é um riacho grande, o Riachão. Mas, no meu tempo de menino, nas cheias de outubro até janeiro, ele corria como um rio de vergonha. Eu me encantava quando ouvia o ronco de sua primeira cheia, a primeira “cabeçada d’água” em grande altura correndo sobre o leito seco. Era um espetáculo maravilhoso. Quem estivesse no meio não se livraria da morte, a menos que soubesse nadar bem, coisa que eu nunca aprendi. Meu pai era um bom nadador, gostava de atravessá-lo nas cheias, levando as pessoas e seus pertences para a outra margem. Ele gostava também de pescar e pescava com tarrafas feitas por ele próprio, pescava peixes grandes e peixinhos para o nosso almoço, o nosso “pirão”.  Eu só pescava no verão, quando o Riachão baixava a corredeira e deixava poços enormes (para mim, naquela idade). Eram mandis, curimatãs, branquinhas e corrós, que a gente ia buscar dentro das locas. Alegremente, levava o resultado de minha pesca para casa, e então minha mãe preparava o almoço.  Era uma festa.  No tempo das enchentes o meu rio era um rio “macho”, com força, que nos embevecia e ao mesmo tempo nos causava medo. Depois secava e a gente tinha pena, ia apenas tomar banho em cacimbas cavadas no leito. Portanto, meu rio não foi aquele açude em que me banhava nu, com Rosinha também nua, ambos inocentes, no Angico Branco (região de Picos). Ela está imortalizada em meu poema “Sonetos da Paixão” e também num soneto inédito, denominado “Primeira Namorada”, onde eu abro a cortina das minhas mentiras (ficções de poeta) e troco o nome de Rosinha pelo verdadeiro: Francelina.

Todos tivemos o nosso rio como tivemos as nossas namoradas. No caso da escritora Deolinda Marques, deve ter tido namorados, pois ela teve por rio o Guaribas, na hoje cidade de Bocaina, rio que naquele tempo ainda era perene, e agora se orgulha da sua barragem, por mim imortalizada no romance “Dom Xicote”. Mas o Guaribas também foi o meu rio, quando meu pai, professor andejo, morou no encontro do Riachão com o Guaribas, lugarzinho de nome Barra, próximo de Bocaina. Foi quando meu pai fazia tarrafas, pescava no encontro dos rios e fazia a comida para nós pequenos, quando chegava a nossa casa, em silêncio: - Ele estava separado de minha mãe, que ficou na Sussuapara, por causa de brigas do casal. Desse tempo tenho mais saudades. Por isto pergunto, no meu soneto “Saudade”: Por que a saudade é também uma coisa triste? Por que os tempos mais pesados, mais sofridos em carência, são os que mais ficam em nossa memória? Quem chegar a ler “O menino quase perdido” poderá encontrar alguma resposta, em fragmentos, do que estou referindo.
O Itaim, para onde corre o Guaribas, também foi meu rio. Morávamos em “Aroeiras”, do município de Picos. Também foi um tempo salobro e insalubre, tal como as águas povoadas de piranhas do itainense rio. Por essa razão, nunca pus os pés nele. Como sabemos, o Itaim despeja no Canindé: este eu não conheço, é meu elo perdido das águas. Eis a rede hidrográfica do médio Piauí, a parte que começa na zona mais seca, nos contrafortes da Serra do Araripe. Se eu errei alguma coisa, me perdoem os geógrafos. Aqui me interessam primeiro as águas da minha saudade, não os elementos geográficos em si. É uma geografia sentimental. 
 
Sequer tive a oportunidade de estar na foz do Canindé, quando se esparrama no Parnaíba. À nossa Teresina cheguei, para morar definitivamente, em 1964. Mas já conhecia o grande rio desde menino. Só tenho espaço aqui, para contar, que atravessei o Parnaíba, de barco, indo para o Maranhão, numa passagem de nome “Mescla”, ou “Amescla”, ali na altura de quem desce de Elesbão Veloso até o Parnaíba, sem fazer voltas. 
 
No penúltimo sábado, assisti, na Academia, várias palestras sobre o rio Paranaíba e sua morte lenta. Mas, de certo tempo para cá, não tão lenta. Ouvi os discursos de Humberto Guimarães e de Elmar Carvalho. Eles falaram verdades cruas. Nos anos 1960 a gente podia tomar banho em suas “coroas”, que não corria perigo de doenças. Quantas vezes nele nos banhamos, eu, minha família, meus amigos e amigas daquele tempo! São coisas do passado, ficaram em livros, nos jornais, e pronto. O Parnaíba está triste, transformado num esgoto a céu aberto, secando, as margens sem florestas, transformadas que foram em roças de pastagem ou plantio de lavouras de subsistência. Assim, sem o lençol de suas margens, correm areias e detritos para o leito do rio e o aterram. Que maldade! Que barbaridade! 
 
Toda a rede hidrográfica do Piauí chega ao Parnaíba já degradada.  Nós não ansiaríamos um porto no mar, se houvéssemos tratado bem o Parnaíba. Agora, babau! Nem porto nem rio. 
 
Fonte: AUTOR: CHICO MIGUEL
http://www.portalodia.com/blogs/chico-miguel/todos-nos-tivemos-o-nosso-rio-205630.html

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Adélia Prado é premiada no Canadá

Poeta brasileira é premiada no Canadá

Adélia Prado foi agraciada com o galardão internacional, já recebido por Tomas Tranströmer e Seamus Heaney

A poeta brasileira Adélia Prado foi anunciada na última quarta-feira, 4, vencedora da edição de 2014 do The Griffin Trust for Excellence in Poetry Lifetime Recognition Award. O prêmio é oferecido pela Griffin Trust, instituição canadense fundada em 2000 pelo empresário e filantropo Scott Griffin, e nomes como Tomas Tranströmer e Seamus Heaney, que também já foram agraciados com o Prêmio Nobel de Literatura, receberam o reconhecimento em anos anteriores.
 
Desde 2006, os conselheiros da instituição (que inclui nomes como Margaret Atwood e Michael Ondaatje) escolhem um poeta para ser honrado com o reconhecimento, "um tributo para o trabalho e conquistas de artistas internacionais que trabalham com poesia", segundo o site da instituição.
 
Aos 78 anos, Adélia é considerada uma das grandes poetas do Brasil. Sua obra traduz o cotidiano. Morando em Divinópolis, em Minas Gerais, uma pacata cidade com aproximadamente 200.000 habitantes, Adélia escreve sobre a vida em sua forma simples de viver. O livro "O Coração Disparado" ganhou o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, 1978. A cerimônia de entrega acontece nesta quinta-feira,5, em Toronto.
 
Com informações do Estadão

Poema Começado no Fim

Um corpo quer outro corpo.
Uma alma quer outra alma e seu corpo.
Este excesso de realidade me confunde.
Jonathan falando:
parece que estou num filme.
Se eu lhe dissesse você é estúpido
ele diria sou mesmo.
Se ele dissesse vamos comigo ao inferno passear
eu iria.
As casas baixas, as pessoas pobres,
e o sol da tarde,
imaginai o que era o sol da tarde
sobre a nossa fragilidade.
Vinha com Jonathan
pela rua mais torta da cidade.
O Caminho do Céu.
ADÉLIA PRADO

quinta-feira, 5 de junho de 2014

O poeta Antonio Miranda recebe o título de professor emérito da UnB


Publicação: 03/06/2014 10:57 Atualização: 03/06/2014 10:59

O Conselho Universitário (Consuni) da Universidade de Brasília rejeitou, na tarde da última sexta-feira (30), o credenciamento da Fundação Darcy Ribeiro como entidade de apoio à pesquisa junto à Fundação Universidade de Brasília.
De acordo com o parecer da relatora Marilde Loiola de Menezes, atualmente, a instituição não cumpre os requisitos solicitados pela lei para o credenciamento.
O revisor do processo, professor George Galindo, propôs a criação de um grupo para avaliar outras formas de cooperação com entre as duas instituições. A comissão será composta pelos professores Thérèse Hofmann, Luís Afonso Bermudez, Elmira Simeão, Luis Roberto Cardoso de Oliveira e um representante discente.
“A administração superior irá se esforçar para tirar as travas e possibilitar que a universidade usufrua plenamente do acervo da Fundação Darcy Ribeiro”, afirmou o reitor Ivan Camargo.
DELIBERAÇÕES – Foi aprovado, com três abstenções, o projeto político-pedagógico do curso noturno de Licenciatura em Ciências Naturais da Faculdade UnB Planaltina.
Os conselheiros também decidiram, por aclamação, conceder o título de professor emérito aos docentes Antônio Lisboa Carvalho de Miranda, da Faculdade de Ciência da Informação, e João Antônio de Lima Esteves, professor aposentado do Instituto de Artes.
GREVE – No período de informes, o Consuni aprovou, por unanimidade, moção de apoio à valorização dos servidores. O texto apresentado pelo reitor Ivan Camargo será encaminhado aos ministérios da Educação e do Planejamento.  
UnB Agência

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Poeta Vicente Sá

Publicação: 01/06/2014 15:51 Atualização:

'Minha poesia é direta, mas que, mesmo falando de coisas tristes e sérias, tenta não deixar que a tristeza seja a última palavra. É assim que vejo a vida' (Janine Moraes)
"Minha poesia é direta, mas que, mesmo falando de coisas tristes e sérias, tenta não deixar que a tristeza seja a última palavra. É assim que vejo a vida"
 
Vicente Sá sente a passagem das estações pela mudança do céu de Brasília, diferentemente do firmamento da cidade de Pedreiras, no Maranhão, onde nasceu. E faz poesia. Brasília sempre o inspirou, desde que aqui chegou menino, aos 11 anos, no auge da ditadura militar. Fez amigos e parceiros poetas, músicos e atores, entre eles, o grupo Liga Tripa. Influenciado pela literatura de cordel, o poeta procura versos que sejam simples, cada vez mais próximos do leitor. Ele publicou nove livros: O engenho da loucura; Brasília, ironia dos deuses; Tumbatatá e Jogo dos bichos, entre outros. Em entrevista ao Correio, Vicente Sá defende que a poesia se aproxime do cotidiano das pessoas e acredita que a história da literatura brasiliense deve fazer parte do currículo escolar. Falta, porém, segundo ele, mais empenho do governo para estimular os leitores e a produção dos artistas locais.


Como foi a sua infância no Maranhão?

Nasci em 1957 em Pedreiras, terra de João do Vale, região cortada por um rio. Fui me entender como gente com 4 ou 5 anos, no início da década de 1960, era outro mundo. Foi uma infância de interior, sem tantos perigos e com música, muita música de rádio e cordéis. Havia muitos cordelistas vendendo em feiras, e isso me despertou muito. O primeiro poema que eu quase decorei foi um cordel chamado Nos tempos que os bichos falavam. Fiquei encantado com a história, o fantástico daquela coisa. Depois, fui a São Luiz do Maranhão, cidade muito bonita, cheia de azulejos, que despertou uma poética mais visual.

Que tipo de poemas você fazia?

Fazia versinhos desde menino e, naquele tempo, se falava muito em Bocage, poeta português. Ele era conhecido como um poeta pornográfico. A fama dele era essa. E eu, pequenino, fazia uns versinhos, umas quadriunhas: “Dona Juju, no pé de Caju, nasceu uma castanha no oco”. E as vizinhas tinham medo de mim e me davam presentes para eu não fazer poemas com elas. Fiquei conhecido como o poetinha Bocage. Mas aqui em Brasília foi que eu me entendi mesmo. Passei a fazer samba com amigos. E, quando começou o movimento do mimeógrafo, vi que não era tão difícil. Você mesmo fazia seu livro.

Você chegou a Brasília em 1968, período mais cruel da ditadura. Como foi recebido pela capital?
Como eu tinha 11 anos, não entendia muito. Depois, comecei a entender. Alguns irmãos participavam de movimento estudantil e me mostravam as coisas. Eu sabia que tinha coisa errada, mas, com 11 anos, não sabia o que era. No entanto, comecei a prestar atenção nos militares de óculos escuros.

Os poetas do Plano Piloto estão integrados aos das outras cidades?

A distância dificulta. Nós temos um péssimo sistema de transporte. É um troço que atrapalha o processo da cultura na cidade. Faltam iniciativas como o Arte por toda Parte. O cara saía do Plano Piloto e ia para Ceilândia, Sobradinho. Os artistas circulavam. Isso é necessário para a cidade conhecer os artistas e os artistas conhecerem a cidade. 

Para que serve a poesia?

Não saberia viver sem fazer poesia. É o meu lado melhor. Para os leitores, ela é necessária também. Pode parecer supérflua. Você pode não ter dinheiro para consumir, mas canta sozinho, se lembra de um poema. A poesia é essencial.


 
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