segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Segredo de Estado. O Desaparecimento de Rubens Paiva.


Exposição sobre Rubens Paiva chega à Câmara dos Deputados nesta quarta (16)
Homenagem ao ex-deputado, que é um dos símbolos dos desaparecidos políticos brasileiros, terá também lançamento de livro na quarta (16).

http://www2.camara.gov.br/portal/Camara/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cdhm/noticias/exposicao-sobre-rubens-paiva-chega-a-camara-dos-deputados

Segunda-feira, 14/02/2011
Brasília(DF) - A Câmara dos Deputados convida para a abertura da exposição Não tens epitáfio, pois és bandeira, sobre o desaparecido político e ex-deputado Rubens Paiva, a ser realizada nesta quarta-feira, 16 de fevereiro, às 11 horas, no Hall da Taquigrafia. Na ocasião, também será lançado o livro Segredo de Estado – o desaparecimento de Rubens Paiva, do jornalista e escritor Jason Tércio.

Rubens Paiva é um dos símbolos dos desaparecidos políticos brasileiros. Ex-deputado federal, empresário, cassado por defender o governo legítimo, pagou com sua vida pela solidariedade aos que eram perseguidos pela ditadura.

A mostra, iniciativa da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, com apoio da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, faz parte do projeto Direito à Memória e à Verdade e seu objetivo é resgatar a trajetória de vida e a obra do ex-deputado, desaparecido em 1971 durante o regime militar. Não tens epitáfio, pois és bandeira já passou pelo Rio de Janeiro e agora traz à Câmara momentos da vida familiar e profissional de Rubens, assim como momentos na sua batalha pela democracia. A abertura da exposição será dia 16 de fevereiro, às 11 horas, e a visitação poderá ser feita até dia 25 de fevereiro, das 9 às 18 horas.
Registro para a história
O livro "Segredo de Estado – o desaparecimento de Rubens Paiva" reconstitui todos os acontecimentos relacionados ao mais controvertido caso de desaparecimento político ocorrido durante o regime militar, há exatamente 40 anos. Escrito em linguagem literária, mesclando técnicas de romance, biografia, reportagem e crônica, a obra ressalta a dimensão humana do caso, entrelaçada ao contexto político e social do país, trazendo episódios inéditos, como os bastidores do Congresso Nacional antes e durante o golpe militar, o asilo de políticos e jornalistas na embaixada da Iugoslávia (hoje Sérvia), a fuga de Darcy Ribeiro e Waldir Pires de Brasília, graças a ajuda de Rubens.
O desaparecimento
No dia 20 de janeiro de 1971, agentes da Aeronáutica invadiram a casa do ex-deputado, na Av. Delfim Moreira, Rio de Janeiro, prendendo também, no dia seguinte, sua mulher e uma das filhas. Os efeitos desses acontecimentos na família, a luta da viúva, Eunice, para encontrar Rubens, a versão oficial da fuga e os bastidores da repressão política da época são intercalados com os principais momentos da vida de Rubens Paiva como político, empresário e pai de família.

O livro, que demorou quatro anos e meio para ser escrito, é todo baseado em minuciosa pesquisa do autor em documentos dos órgãos de segurança e de arquivos particulares, depoimentos orais e inquéritos. Seu lançamento ocorrerá às 11 horas do dia 16 de fevereiro, como nova sessão de autógrafos às 18 horas.
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Serviço:
Exposição "Não tens epitáfio, pois és bandeira", sobre o ex-deputado Rubens Paiva
Abertura: 16 de fevereiro, às 11 horas
Visitação: de 16 a 25 de fevereiro, das 9 às 18 horas, no Hall da Taquigrafia, Anexo II.

Lançamento do livro Segredo de Estado – o desaparecimento de Rubens Paiva, do jornalista Jason Tércio.
Data: 16 de fevereiro de 2011, 11 horas, com nova sessão de autógrafos às 18 horas.
Local: Hall da Taquigrafia.

Realização: Câmara dos Deputados

A Incrível História de von Meduna e a Filha do Sol do Equador, de Edmar Oliveira


Do mesmo autor de “Ouvindo Vozes”. Enquanto no livro anterior os porões da psiquiatria brasileira foram abordados através das “histórias do Engenho de Dentro e lendas do Encantado”, recuperando para a vida pessoas soterradas na continuação do primeiro hospício do Brasil, no Rio de Janeiro, neste livro o autor “invenciona” a história de von Meduna no seu caso de amor à terra “Filha do Sol do Equador”.

Participante da Reforma Psiquiátrica que se instala em Teresina, como consultor, o autor, radicado no Rio de Janeiro, mas apaixonado por sua terra natal, mergulha na história da Psiquiatria no Piauí, se envolve emocionalmente com as aventuras dos loucos de sua infância, e apresenta um painel apaixonado de histórias da psiquiatria piauiense, da implantação de um modelo comunitário de assistência que se propõe substituir a internação psiquiátrica.

Não é um livro técnico, mas um romancear de quem toma partido contra uma psiquiatria repressiva que deve ser atacada no campo dos direitos humanos. Um livro para ser discutido por estudantes, profissionais, usuários, familiares, enfim, por toda à sociedade a quem é proposta uma nova ética de inclusão da loucura.

E como o modelo que foi combatido, o hospício, é o mesmo em qualquer lugar do planeta, não é um livro sobre o que acontece no Piauí, mas sobre o que faz a psiquiatria em todos os hospícios de qualquer cidade do Brasil e um elogio à forma de acontecer a Reforma Psiquiátrica, prática em saúde mental que vem substituindo o antigo manicômio em todo o país.

Paulo Tabatinga. Teresina, Piauí, Brasil.

Para adquirir o livro:TOCCATA - loja de cds e livraria
Rua Angélica, 1467 (por trás do mesmo local quando a Toccata era na N.S. de Fátima, no Jóquei), Teresina, Piauí. Tel 086-3233-5181

Mais sobre o autor:
http://piauinauta.blogspot.com/

sábado, 5 de fevereiro de 2011

TRINTA GATOS E UM CÃO ENVENENADO de Geraldo Lima





A peça de teatro TRINTA GATOS E UM CÃO ENVENENADO de Geraldo Lima  virou livro antes mesmo de ir ao palco.
Publicada  pela Ponteio Edições.
O livro  pode ser adquirido aqui: http://migre.me/3OPj1




Geraldo Lima é autor dos livros:  A noite dos vagalumes (contos, Prêmio Bolsa Brasília de Produção Literária), Baque (contos, LGE Editora/FAC), Nuvem muda a todo instante (infantil, LGE Editora) e UM (romance, LGE Editora/FAC).
Das antologias: Antologia do conto brasiliense (Projecto Editorial, org. por Ronaldo Cagiano) e Todas as gerações - o conto brasiliense contemporâneo (LGE Editora, org. por Ronaldo Cagiano). Participei, também, do Projeto Portal: revista Solaris e revista Neuromancer, org. por Nelson de Oliveira.e-mail: http://www.blogger.com/goog_2115280723

5 de fevereiro de 1974 - A morte de Mestre Bimba, um filho de Zumbi


Morreu em Goiás, aos 73 anos, Manoel dos Reis Machado, o baiano Mestre Bimba, considerado como verdadeiro divisor de águas na história da capoeira, que introduziu elementos de boxe, jiu-jitsu e catch aos gestos coreográficos da capoeira de angolana. Com sua morte, desaparece um dos elos mais fortes que ligavam a capoeira às usas origens históricas.

Bimba foi um divisor de águas na história da Bahia. Revolucionou a concepção conservadora que se tinha da Capoeira, e criou seu estilo próprio, introduzindo valores da classe média num meio cujas normas implícitas permaneciam mais ligadas ao pathos pré-Abolição da Bahia. Ele incorporou à capoeira os golpes mais agressivos de lutas estrangeiras - a antropofagia cultural de que falava Oswald de Andrade não lhe era estranha na prática. Montou uma academia para ensinar a sua arte a jovens filhos da classe média, prováveis descendentes de antigos donos de escravos. E seguiu com rigor as regras educacionais, que incluía uniforme, exames, formatura, diploma e medalha. Tudo formalizado por uma autorização da Secretaria de Educação estampada na parede da academia, a primeira a ser legalizada no Brasil. "Ninguém pode mexer comigo", sorria.

O jogo da capoeira permaneceu nele, em sua fala, em seu corpo, em seu berimbau, como um valor essencial de sua gente, sustentado pelos orixás do Candomblé, dos quais era fiel temeroso. Foi um herói dos que se movem num dos muitos planos simbólicos e contraditórios que atravessam a formação social brasileira.

Fonte: http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Reynaldo Foi plantar Poesia n’outro Jardim

A morte de Reynaldo Jardim
Enviado por luisnassif, qua, 02/02/2011

Desculpem a repetição do tema triste, mas o faço por uma obrigação imperial, ou ordens do Rey, para afastar a tal da tristeza pungente, que a meia noite me fez chorar um pouquinho e baixinho abraçado à Maria.
Pois agora sorrio e me perco em o que dizer nessa hora. Por isso a repetição do tema: essa noite o Rey morreu. Tenho tantas histórias dele para festejar. Algumas nossas. Poucas minhas sobre ele. De Reynaldo Jardim, devo quase tudo de bom que me aconteceu nos últimos tempos. E como nunca fomos tão piegas, deixo a última história que presenciei em sua casa, na sexta feira passada, dia 28 de janeiro, como uma maneira de dizer "até breve".
Estávamos em um jantar na casa de Reynaldo e Elaina, junto do ilustre poeta e diretor da Biblioteca Nacional, Antônio Miranda. Acho que ele já tinha ido embora quando o Rey nos parou na sala, pediu que ficássemos mais um pouco e contou de uma ligação inusitada que havia recebido há poucos dias.
Um homem ligou para Reynaldo dizendo que morava em São Paulo, que achou seu telefone na internet e que estava ligando por causa de sua mãe. Disse que eles foram amigos no colégio, quando Rey Jardim havia completado pouco mais de 20 anos. Pediu então, permissão para que a mãe, uma senhora de seus 80 e poucos, pudesse ligar para o desconfiado poeta.
Heleninha, chamava-se a senhora. Contou ao Rey e a sua esposa, por telefone, que eles tinham sido muito amigos. Enfatizou à Elaina que nunca foram namorados, apenas amigos. Claro que, todos nós que ouvíamos a história, e a própria Elaina, pensávamos: "obviamente, o Rey a comeu!"
Bom, ela falou que o Rey, na época, ainda lhe escrevera um poema. "Comeu, certeza!" afirmamos todos e rimos. Reynaldo Jardim se defendia dizendo que não tinha a mínima idéia de quem era essa tal de Heleninha. Disse que lembra o colégio, mas que havia na sala apenas um outro homem além dele, e o resto era só mulher. "Como poderia me lembrar de todas?"
Enfim, achamos interessante o re-encontro inusitado de 60 anos e comentávamos como troça. Reynaldo cantava as moças desde a tenra idade. Um poema a mais, um a menos...
Mas não é que a Elaina, depois da poeira baixada e já com outros assuntos em pauta enquanto conversávamos, mexia na correspondência do dia e encontrou uma carta! Endereçada ao nobre Rey! Cujo o remetente levava o nome de Helena (não lembro o sobrenome)!!.
Todos abismados e curiosos enquanto ela abria a carta. De lá, tirou dois pedaços de papel. Um bilhete curto que dizia mais ou menos assim (não sei as palavras certas e escrevo de memória, portanto, perdoem qualquer erro, mas afirmo que esse era o teor):
"sou a Heleninha, sua amiga do colégio tal. Não sei se se lembra de mim, mas nunca me esqueci de você. Você me escreveu um poema que, desde aquela época, o tenho usado como uma oração, uma reza mesmo, que evoco nas melhores e piores horas de minha vida. Esse poema faz parte das minhas melhores lembranças e queria que soubesse o quanto de alegria me proporcionou nesses mais de 60 anos, muito obrigada. Sua amiga para sempre, Heleninha".
Elaina desdobrou o outro pedaço de papel e lá havia uma cópia em xerox de um texto em versos. O título era algo com "canto", ou "cântico". Elaina reconheceu a letra na hora. Disse que ainda é a mesma. "A assinatura também é igualzinha, Rey!" exclamou Elaina.
Ela leu em voz alta o poema todo, pois é a única que decifra com desenvoltura a letra de Reynaldo Jardim. No final, a assinatura: Reynaldo Jardim, 8 de outubro de 1948.
Todos ficamos arrepiados e sorrisosos! Não digo que brotaram lágrimas em mim, mas a vi na Maria, na Elaina que ria, no Rey que ouvia.
Reynaldo fez isso com Heleninha. Fez isso comigo também. Fiz-lhe um filme pequeno para homenageá-lo. É meu primeiro filme. Ganhamos a Mostra Brasília, no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro em 2010. Além do Candango, tenho também na estante, um Jabuti, pois ele me deu o que ganhou em 2010, com Sangradas Escrituras (livro antologia). Tenho certeza que nosso premio no cinema também lhe veio como uma homenagem. Reynaldo faz isso com as pessoas. Reynaldo Jardim é gênio criador, artista revolucionário e delirante. Liderou ou influenciou os lideres de todas as grandes revoluções artísticas do século 20, tanto na poesia, como, e principalmente, na imprensa brasileira. Repito: Reynaldo fez isso em Heleninha, em mim e em milhares de outros. Reynaldo faz isso com as pessoas. Ele marca, com uma assinatura funda, nossa pele, nossa forma de pelear, nossas palavras e futuros e histórias e cores e coragens e sorrisos fugazes ou eternos e reticências... Essa noite ele morreu. Viva o Rey!
Por Antônio Carlos Queiroz
A Velha Guarda dos Jornalistas do Distrito Federal lamenta informar que faleceu nessa terça-feira à noite, por volta da meia-noite, o poeta e jornalista Reynaldo Jardim, 84, em decorrência do rompimento de um aneurisma abdominal.
O velório ocorrerá entre as 15h e 18h na Capela 6 do Cemitério da Esperança, onde ele será enterrado em seguida.
Reynaldo deixa a esposa, Elaina Maria Daher, os três filhos do casal, Rafael, Gabriel e Micael, e a filha Teresa, de seu primeiro casamento.
Do site do poeta Antonio Miranda (www.antoniomiranda.com.br) extraímos os seguintes dados biográficos de Reynaldo Jardim:
Reynaldo Jardim nasceu em São Paulo no dia 13 de dezembro de 1926.
Entre outras atividades profissionais, participou, nos anos 50, da Reforma do Jornal do Brasil - onde criou e editou o Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, o Caderno de Domingo e o Caderno B. Ainda no mesmo grupo, dirigiu a Radio Jornal do Brasil O Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, o SDJB, passou de páginas de receitas de bolo ao mais importante suplemento literário de poesia concreta do Brasil, por onde passaram crí¬ticos e escritores de grande nome, como Oliveira Bastos, Mário Faustino, entre outros. Antes disso, fora redator das revistas O Cruzeiro e Manchete, exerceu cargos de chefia na Rádio Clube do Brasil, na Rádio Mauá, na Rádio Globo e na Rádio Nacional, todas no Rio de Janeiro, e na Rádio Excelsior de São Paulo.
Ao se demitir do JB, em 1964, Reynaldo Jardim continuou a exercer atividades de grande destaque na imprensa do Rio de Janeiro: foi diretor da revista Senhor e diretor de telejornalismo da recém-inaugurada TV Globo. Já em 1967, criou o jornal-escola O Sol (1), sem dúvida um marco na história da imprensa brasileira, com textos criativos e projeto gráfico inovador. Dirigiu o Correio da Manhã no período de 1967 a 1972. Trabalhou em diversas capitais brasileiras até chegar a Brasí¬lia, em 1988.
Realizou, também, reformas gráficas em jornais de diversas capitais do Brasil, como A Crí-tica (Manaus, Amazonas), O Liberal (Belém, Pará), Gazeta do Povo (Curitiba, Paraná), Jornal de Brasília (Brasí¬lia, DF) e Diário da Manhã (Goiânia, Goiás). Em Brasí¬lia, foi editor do caderno Aparte, do Correio Braziliense e diretor executivo da Fundação Cultural do Distrito Federal.
Tem dez (2) livros de poesia publicados, entre eles Joana em Flor e Maria Bethânia, Guerreira, Guerrilha. Seu mais recente livro A Lagartixa Escorregante na Parede de Domingo. Como poeta compulsivo, Reynaldo Jardim manteve a única coluna diária de poesia em jornal, no Caderno B do Jornal do Brasil de 2004 a 2006, quando a coluna passou a semanal. Em 1968 havia tido a mesma experiência, de um poema por dia, no Jornal de Vanguarda, exibido pela TV Rio quando, ao vivo, comentava em versos o acontecimento mais importante do dia.
(1) A história do jornal, pioneiro da imprensa alternativa brasileira, foi contada em filme documentário dirigido por Tetê Moraes e Martha Alencar, com depoimentos de grandes figuras de destaque no cenário cultural da época, como Ziraldo, Zuenir Ventura, Arnaldo Jabor, Chico Buarque, Caetano Veloso, Carlos Heitor Cony e Fernando Gabeira.
(2) No ano passado, Reynaldo ganhou o Prêmio Jabuti, tendo sido classificado em segundo lugar na categoria poesia pela Câmara Brasileira do Livro.

PONTOS NA CURVA DA PRAÇA TAHRIR


o geômetra Jorge
triangula com as palavras
desloca significados em função dos ângulos
(paralelos, congruentes, opostos, que importa?).
entre seus axiomas e postulados, o que importa mesmo,
é demonstrar a validade de cada emoção,
de cada gesto, de cada pensamento,
ainda que no plano cartesiano ou fora dele.

o geômetra Jorge,
assim como os primeiros agrimensores,
nascidos no Egito,
grita, hoje, por liberdade, por mais espaços (reais e virtuais),
na praça Tahrir, no Cairo.

MARCOS FREITAS
 
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